Cada vez mais as empresas implantam o Lean Manufacturing em sua produção com o objetivo de reduzir desperdícios e aumentar os lucros. Porém, um desafio comum é enfrentar a oscilação de demanda dos clientes mantendo a entrega com qualidade no menor tempo possível e sem gerar excesso de estoques ou sobrecarga de trabalho. Nesse sentido, a Toyota começou a praticar o heijunka, termo em japonês que significa “nivelamento de produção”.
A ideia central do heijunka é analisar a demanda do mercado e configurar os recursos para uma produção constante que irá atendê-la, sem oscilações, nivelando a variedade ou o volume dos itens produzidos em um processo, consequentemente, gerando estabilidade na produção. O principal objetivo com a utilização do heijunka é prevenir o excesso de estoques, tipos de produtos e flutuações no volume dos mesmos.
Uma frase famosa de Taiichi Ohno, fundador do Sistema Toyota de Produção, exemplifica bem a importância da produção constante:
“A tartaruga é mais lenta, mas consistente. Causa menos desperdício e é muito mais desejável do que a lebre veloz que corre à frente e depois para, ocasionalmente, a cochilar. O sistema Toyota de Produção pode ser realizado somente quando todos os trabalhadores se tornam tartarugas.”
Os principais benefícios do heijunka
Ao utilizar o heijunka para solucionar as flutuações de demanda do mercado, o Sistema Toyota de Produção monta um mix de modelos dentro de cada lote, garantindo estoque de produto sempre disponível proporcional à variabilidade na demanda, como o efeito chicote. Dessa maneira, é possível ter o produto certo na hora certa sem custos extras na produção.
Outros ganhos que podemos enfatizar são:
- Facilidade na aplicação do conceito Just-In-Time (JIT) em todos os departamentos e cadeia de fornecimento;
- Diminuição de estoques tanto de matéria prima como de produtos acabados por sofrer menos impacto da oscilação de demanda;
- Menor ocupação de armazéns e necessidade de espaço físico para armazenamento, uma vez que se elimina o excesso de produtos;
- Equilíbrio e otimização na utilização de recursos (matéria-prima, maquinário, tempo e humano);
- Redução de custos e redução de desperdícios;
- Padronização de processos e facilidade em trabalhar com melhoria contínua;
- Redução na sobrecarga de trabalho aumentando a vida útil do maquinário e diminuindo o estresse e insatisfação dos trabalhadores.
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Como fazer o nivelamento de produção na prática
A essência do heijunka é puxar a produção para adequá-la com a demanda. Ao produzir todos os produtos em períodos de tempo relevantes e calculados, o tempo de entrega (takt time) é reduzido. Seguindo essa lógica, teremos todos os produtos sendo produzidos e armazenados conforme a necessidade e, ao final de um ano, a flexibilidade é aumentada, todos os produtos serão vendidos e a produção será capaz de atender aos períodos de alta demanda.
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Vamos exemplificar. Uma fábrica de tênis recebe mil pedidos por semana, sendo que na segunda-feira temos a maior demanda e, na sexta-feira, a menor. Se o produtor tentar atender a demanda em sequência das ordens, terá uma sobrecarga na segunda e uma ociosidade na sexta. Por outro lado, é possível utilizar o heijunka para nivelar a demanda e produzir um inventário perto do transporte para atender as ordens de segunda-feira. Assim, todo começo de semana, a fábrica já teria uma quantidade de tênis em inventário para suprir o pico de demanda desse dia e poderia produzir um mesmo volume de produtos todos os dias.
Agora, pensando em um cenário um pouco mais real, onde trabalha-se com quatro modelos diferentes de tênis, por exemplo. O produtor vai querer reduzir a perda de tempo e outros desperdícios relacionados à troca de ferramentas, assim, é provável que produza todos do mesmo modelo juntos, com o mínimo de variação possível.
Mas e se a demanda do cliente muda e é necessário alterar as ordens de produção? Ou se os pedidos de um modelo aumentarem drasticamente enquanto outro diminui? O produtor em massa se verá em dificuldades para encontrar a capacidade de fazer mais de um modelo enquanto a capacidade do outro fica ociosa. Por isso, para evitar esse tipo de situação e desperdício, o cronograma de produção heijunka irá sugerir uma produção mista, equilibrada e constante, com muito foco nos tempos de troca eficientes e inventários otimizados que atendam à demanda pelos itens mais pedidos.
É importante ressaltar que o heijunka também lida tanto com as oscilações de demanda como com a imprevisibilidade da mesma. Quando se trabalha com um cronograma do tipo, é aconselhável se ter uma margem (pode-se começar com 10%) de capacidade na caixa da flexibilidade de alteração. O aumento da flexibilidade e, principalmente, da eficiência da transição protege a linha de produção de imprevistos de demandas, como de uma previsão errada.
Caixa heijunka
É uma ferramenta de programação de produção que mostra visualmente o quê, quando e quanto produzir, garantindo que o verdadeiro nivelamento seja constantemente seguido. A caixa heijunka possui linhas verticais para cada linha de produto com os seus estoques de produtos finalizados e mais uma linha com divisão de tempos blocados para a produção. Cada produto é um cartão que entrará na linha de produção e, após pronto, passará para o estoque. Quando o cliente comprar um item, o cartão pode voltar para a linha de produção.
Dessa forma, o ritmo de produção passa a ser ditado pelo cliente e pela demanda de cada produto, não mais pelo líder de produção. Utilizando essa ferramenta, é possível manter os estoques dentro de um padrão não elevado e nem muito baixo, garantindo todos os benefícios já mencionados do heijunka.
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